
Guga Arruda decola alto com prancha de apenas 1,5 quilos. Foto: Daniel Tinelli.
Exímio competidor, Guga Arruda já foi duas vezes bicampeão catarinense e sul-brasileiro.
Sempre esteve entre os melhores surfistas no ranking da elite brasileira profissional e se manteve entre os top 16 durante sete anos.
Liderou o circuito brasileiro, fez finais em etapas do WQS e tem mais de 10 temporadas havaianas.

Guga desenvolveu a Powerlight, construção que permite pranchas muito leves e resistentes. Foto: Daniel Tinelli.
Muitos atletas profissionais em diversas áreas do esporte estão buscando outros caminhos dentro do segmento.
Esse trabalho de conciliação entre as várias áreas do surf muitas vezes é encarado com prazer, e essa pode ser a chave do sucesso.
O surfista, shaper, surf reporter, professor de surf, palestrante, empresário, filmaker, comunicador e pai de família Guga Arruda vem se mostrando um atleta multifuncional, já que exerce várias funções dentro do esporte que o revelou no cenário nacional e internacional.
Apadrinhado por alguns dos melhores shapers do mundo, como Fernando Sheena, Avelino Bastos, Jonh Carper, Pat Rawson, Havenga, entre outros, começou a shapear depois de uma aula com Avelino na década de 90.
Hoje, utilizando a tecnologia de termo-moldagem, desenvolvida por Jair Fernandes, o “Maxuxo”, e prosseguindo com pesquisas de matérias cada vez mais leves, resistentes e flexíveis, Guga desenvolveu a Powerlight, construção revolucionária que permite pranchas muito leves, resistentes, com controle de flexibilidade, e diz ter feito a prancha mais leve do mundo, uma 6’1 Full Carbon, com apenas 1,5 quilos.
Aproveitando o inicio do Catarinense Profissional no próximo dia 5 de março, conversamos com ele para saber um pouco mais sobre essas inovações e algumas curiosidades pessoais.
Como e quando surgiu o inovador sistema de pranchas Power Light?
O inventor Jair Fernandes (Maxuxo) vem trabalhando há décadas no desenvolvimento desse novo método e eu venho pesquisando e buscando uma forma de produzir pranchas leves, resistentes e com controle de flexibilidade. Nos encontramos e identifiquei que o método de termo-moldagem desenvolvido por Maxuxo servia perfeitamente para o meu objetivo. Com esse método e os materiais mais nobres do mercado, como carbono, kevlar, madeira e a minha fissura por pranchas leves, nasceu a Powerlight.
Quais os materiais utilizados e quais os diferenciais desses materiais?
O carbono é o material mais caro e com melhor resposta de flexibilidade. Volta da flexão com mais velocidade e projeta a prancha pra frente. O kevlar é mais flexível e proporciona pranchas bem soltas e fáceis de manobrar. A madeira, usada em lâmina, na horizontal, também oferece boa flexibilidade e forma uma estrutura sanduíche muito resistente. Todas elas são feitas com bloco de EPS de baixa densidade, sem longarina, por isso são tão leves e laminadas com resina epoxi que permite boa flexibilidade.
E a prancha mais leve do mundo? Conta melhor essa história.
Sempre busquei a prancha mais leve possível, mas os fabricantes nunca quiseram fazer, pois tinham medo que quebrassem. Vários até me disseram que a prancha muito leve não ficava boa. Eu não acreditei e não me conformei, fui atrás. As coisas levam tempo, mas com o novo método, EPS de baixa densidade e fibra de carbono, fiz uma 6’1 com 1,5 quilos, botei na água e ela é mágica e voa. Sendo assim, está quebrado o tabu, prancha leve é o bicho.
Em muitos anos na história das pranchas de surf, a longarina dos blocos era indispensável e parecia dar resistência às pranchas. As pranchas Power Light não utilizam longarina e possuem certa flexibilidade.
Fale um pouco dos resultados comprovados na prática.
Comecei a estudar flexibilidade com meu mestre Fernando Sheena, há uma década no Hawaii, com as pranchas Surf Light Hawaii, das quais fui o piloto de testes e patrocinado. A Powerlight nasceu para dar continuidade a esse trabalho. As pranchas flexionam mais que um shaper considera em mexer nas suas curvas de fundo, sendo assim a flexibilidade é o que define a curva real da prancha quando em uso nos pés do surfista. Por esta razão passa a ser o x da questão. Na prática, as pranchas mais flex são mais manobráveis e as mais rígidas mais velozes, porém o retorno da flexibilidade também faz grande diferença. Os matériais com retorno mais rápido oferecem uma projeção adicional para a prancha.
Por Daniel Tinelli - Fonte Waves